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Quando o atrito ou a magia começa antes da entrada
Ignorados por muitos, mas extremamente importantes; chegou a hora de falar de um dos pontos cruciais da jornada: os estacionamentos!
"Sério que é uma news inteira para falar sobre isso?"
Eu também pensava assim até pesquisar sobre o tema. Qual o primeiro lugar do parque que a gente entra de fato? O estacionamento. Ele é o primeiro ponto de contato físico com os visitantes e, mesmo que esquecido, pode e precisa contribuir para a experiência.
Onde eu paro?
Se ao estacionar o carro, você já se depara com filas longas, confusas ou carentes de sinalização, a primeira impressão do parque é boa ou não?
A organização nesse espaço é primordial para causar uma primeira boa impressão, assim como atendentes simpáticos para guiarem os carros que chegam nas vagas disponíveis em cada fileira, a fim de garantir que nenhuma vaga seja desperdiçada e todos estacionem o mais perto possível.
Estacionamento do saudoso Playcenter. Foto: Adriano Araujo | Flickr.
Porém, os estacionamentos dos parques contam com milhares de vagas. Como localizar o seu carro? Já tive visitas no Hopi Hari em que cheguei depois da abertura, nem me atentei onde o carro foi estacionado e na volta foram uns 10 minutos de desespero para encontrar o carro já praticamente no escuro.
Por isso, estratégias de memorização podem ser utilizadas, como a Disneyland Resort faz com nomes de personagens, números e até uma cor para cada área do estacionamento. Hoje, um QR Code nessas placas de sinalização podem ajudar a salvar a vaga no celular na hora do retorno.
Fluxos
Descentralizar um estacionamento gigante em vários estacionamentos menores é uma prática vista em alguns parques, como é o caso do Busch Gardens Williamsburg, que tem sua divisão em espaços com nomes de países que representam as áreas do parque. Além de ajudar a encontrar o veículo, causa aquela primeira impressão de achar que o parque não está lotado (mesmo que ele esteja). A primeira impressão já regula a emoção ao longo do passeio
Outro ponto importante é garantir que todas as cancelas estejam funcionando na entrada e que o parque defina a melhor mecânica de pagamento: é na entrada? É ao longo do dia durante o parque? É na saída? Lembro que, em uma das visitas, o Hopi Hari adotou o sistema de pagamento na saída temporariamente, o que gerou muita fila.
A chegada do público ainda ocorre aos poucos, mas a saída representa uma multidão exausta que aproveitou até o último minuto e agora só quer ir para a casa. A última lembrança não pode ser uma fila para pagamento ou um congestionamento na saída do parque.
Antecipe a ansiedade
Esses espaços podem servir para gerar aquela ansiedade a mais no parque, como quando vemos o Castelo das Nações do Beto Carrero World lá na rodovia ou quando você consegue ver todo o Hopi Hari do alto e já apontar as atrações para qual você quer ir. Outra possibilidade de gerar essa empolgação é inserir pôsteres, estátuas, bandeiras e até banners das atrações do parque no estacionamento.
Para economizar caminhada
Além do veículo, dependendo do tamanho e da distância do estacionamento até a entrada do parque, outros meios de transporte podem ser utilizados como apoio: ônibus, escadas rolantes, monotrilho ou até um caminho a pé com uma sombra e música demonstram que o parque se preocupa com o visitante desde o momento em que ele estaciona o carro.
A preferência por transportes coletivos ocorre em alguns parques como Magic Kingdom, onde o ônibus para hóspedes é o meio de transporte que chega o mais próximo das catracas. Tudo é sinalizado e muito bem indicado para facilitar a locomoção.
Como forma criativa de sair da mesmice dos estacionamentos comuns, a imagem acima é o estacionamento da Disney’s Hotel Santa Fe, que representa um drive-in como se os carros estivessem assistindo ao filme. Já o exemplo abaixo, do Cabana Bay Beach Resort, inclui alguns carros clássicos próximos à entrada.
Tarifas
Até qual valor de estacionamento é aceitável para um dia inteiro no parque? Como exemplo, o Thermas da Mata tem ingressos online à partir de R$39,90, enquanto o estacionamento é R$49,90. Mesmo que considere que o valor será dividido por mais pessoas, visto de forma individual, ele é mais caro do que o ingresso.
O valor do estacionamento não pode ser um impeditivo de visitação ou surpresa no dia sem comunicação prévia. Alguns parques trabalham com a venda antecipada do estacionamento no momento de compra dos ingressos.
Quando o visitante já compra antecipadamente e tem a opção de parcelar, a disposição para consumo interno no dia da visita é maior, já que algumas despesas ocorreram antes.
O estacionamento do Hopi Hari aumentou em mais de 36% de outubro de 2023 até março de 2026 (de R$55,00 para R$75,00). Como referência, a inflação no período foi de 12%. Um aumento surpreendente de 3x!
Como serão os estacionamentos de um futuro não tão distante? Com mais áreas de sombras e/ou painéis solares? Mais esforços para aderência aos transportes coletivos? Áreas com bateria para carros elétricos? A prevalência será sustentabilidade ou receita?
Sabemos que eles são uma fonte de receita extra importante para os parques, mas qual o impacto na experiência do visitante?









